quarta-feira, março 30, 2011

.de volta ao útero.

Não se sinta culpado, você ainda nem sabia o que isso significava, mas a primeira vez que se sentiu rejeitado na vida foi quando saiu do útero da sua mãe. Você estava lá, quentinho, no escurinho, todo aconchegante. Parecia que ia viver pra sempre assim, e, de repente, pá - deu de cara com a luz do dia, umas 5 pessoas de branco rindo pra você em uma sala de hospital. Quem, em sã consciência, não iria chorar? Se você hesitou em não derrubar suas lágrimas, um daqueles caras sorridentes, começou a dar palmadas na sua bunda. Difícil seria rir depois de tudo isso.


Desde então é exatamente essa sensação de proteção e paz que você procura. Alguém que possa te fazer sentir assim, sem precisar ter um útero de dois metros onde você ainda caiba. Procura em cada uma das pessoas que cruzam o seu caminho, e quando atinge idade suficiente, passa a procurar no sexo oposto. Ou no mesmo.


A verdade é que conscientemente você quer ficar sozinho. Quer se poupar das dores de cabeça, satisfações, possíveis mentiras ou traições e todos os outros pontos negativos que um relacionamento amoroso possa te trazer. Não é que você não enxergue qualidades no amor - pelo contrário - qualidades são o que este nobre sentimento mais possui. Mas infelizmente elas não vem sozinhas, e a procura tem sido tão grande desde que viu a luz do dia - ou do hospital - que você está cansado.


Então você se esforça. Não está preparado pra ser o útero de outra pessoa e não acha justo que ela faça isso por você. Está feliz porque pintou as paredes do seu apartamento de uma cor que só você gosta, mantém a tampa da sua privada abaixada (ou levantanda se for homem), e só precisa pagar um ingresso de cinema ou teatro. Você é financeiramente independente, tem seu próprio carro e pode fazer xixi fora do vaso, se quiser.


Aí, chega o aniversário da sua mãe. A única pessoa capaz de te oferecer um útero aconchegante. Ela merece um puta presente - e desculpe por usar a palavra puta, mas, convenhamos, é dificil expressar grande intensidade sem palavrões. Você, o filhinho querido, vai até uma loja achando que com dinheiro na mão tudo será muito simples. Mas não é. Dentre 5 tipos de camiseta básica com decote V e 12 modelos de forninho elétrico, você percebe que só uma mulher é capaz de escolher algo pra outra mulher. Talvez o melhor presente que possa dar à sua progenitora é uma nora.


Ou então, você é mulher. Acabou de comprar seu carro e está feliz a beça. Encheu o porta-luvas de maquiagem, perfume e um kit higiene. Tem 2 pares de sapato no seu porta-malas pra você trocar durante o dia se sentir vontade e - o melhor - nenhum homem pra reclamar disso. Você compra um rádio pro seu carango e está orgulhosa porque tem certeza que escolheu bem. Vai até a loja instalá-lo, em posse do seu cartão de crédito e seu salto agulha mais indicado praquele momento tão especial. O vendedor te olha nos olhos e você sente que ele também está orgulhoso de você. Mas não, ele está se perguntando como você pretende ouvir música no seu carro com um rádio potente e nenhum auto-falante. Merda.


São exemplos bobos. Talvez você seja uma expert em carros ou o melhor comprador de presentes para mulheres, mas com certeza, tem alguma coisa que em algum ponto da vida, vai perceber que não sabe fazer sozinho. É claro que nada disso é motivo pra decidir se casar e jurar fidelidade eterna. Mas é um bom começo pra te ajudar a entender que fomos feitos para viver em pares e que inconscientemente é só isso que você vem buscando - uma companhia que te faça reviver a paz de ser dois.


Então, de novo - não se culpe. Não se culpe por errar, perdoar, ligar de madrugada, comprar uma roupa nova pra encontrar alguém ou passar a noite na varanda esperando o carro de alguém atravessar a avenida. Não se culpe porque deseja alguém que não poderia ou porque faz esforços sobre-humanos pra não esquecê-la quando isso é exatamente o que deveria fazer. Não se culpe por procurar no próximo o útero da sua mãe. Você avisou que não queria sair de lá e ninguém te ouviu.


Enfim, não se culpe. Porque é só quando a gente se dá conta do que está procurando que finalmente consegue encontrar.

quinta-feira, março 24, 2011

.surtei.

Antes mesmo de começar a escrever este post, sei exatamente que ele vai afetar de forma totalmente diferente pessoas de 15 a 23 anos, de 24 a 29 e de 30 pra cima. Sei que as de 15 pra baixo nem vão se dar ao trabalho de ler. Eu poderia até entitulá-lo de "Justin Bieber" ou "Restart" para tentar chamar a atenção deste público também. Mas a este ponto, eles já teriam perdido o interesse, então, deixa pra lá.

A primeira e a terceira faixa etária vão rir de mim, cada um por seus motivos, mas vão. Já a segunda, vai se ver abanando a cabeça em forma de sim conforme o cerébro for processando as palavras!

Completar 25 anos é uma coisa engraçada. Não que a gente se sinta realmente velho ou experiente. Mas é a primeira vez que passamos a nos sentir atrasados para a vida. Quando você tem uns 15 anos e faz planos para dali dez, principalmente se é menina, se imagina super bem sucedido, com aquele emprego dos sonhos, um namorado/a lindo e querido por toda sua família, casamento marcado, carro comprado, roupas lindas no armário. Imagina que aos 30 vai ser acordado por seu filhinho de olhos azuis, naquela cama ensolarada ao lado da pessoa que ama, num domingo feliz e pacífico, sem nada mais pra se preocupar, enquanto seu dinheiro só cresce nos cofres dos bancos.

Aí você completa 20. Está na faculdade, leva aquela vida mansa, vê que emprego e dinheiro não são tão fáceis assim e que com tanta gente despreocupada da vida ao seu redor, é melhor deixar o casamento e o filho pra depois dos 30 anos. Então você foca na sua carreira, dá um monte de passos em falso, outros bons, faz viagens, estuda, aprende milhões de coisas que nunca achou que saberia e vai deixando o amor meio de lado. Quem precisa dele quando se tem amigos?

Vai vivendo despreocupado com o tempo, crente que tem inúmeros anos pra alcançar todos aqueles sonhos adolescentes. Seu corpo e sua saúde passam a exigir um pouquinho mais de você, mas é óbvio que você não está nem aí. Ainda falta muito pra entrar pro mundo adulto.

Com 24, ou está desesperado porque sua carreira não progrediu em nada, ou contente porque já consegue pagar suas próprias contas e uma cervejinha pros amigos de vez em quando. Sente a necessidade de voltar aos esportes; encara uma academia ou tenta algo que nunca fez tipo tênis ou equitação. Passa a frequentar lugares que antes chamava de balada de tiozão e a procurar se relacionar com pessoas mais velhas que você.

Então, chegam os 25. E junto com eles, alguns convites de casamento, chás de bebê ou open houses. Você está solteiro e seus amigos estão casando. Você se orgulhava de poder pagar sua própria academia e seus amigos estão comprando apartamentos. Você carrega fotos dos seus sobrinhos e seus amigos dos filhos deles. Mas essas pessoas estavam ali o tempo todo com você, como tudo isso aconteceu? Quando foi que vocês viraram adultos?

E lá estão elas te esperando. Você achou que tinha se livrado delas ao completar 20, mas não. A sensação de atraso. A sensação de que você decepcionou a pessoa que era aos quinze anos. A sensação de que tem cinco anos antes de se tornar um trintão e - a pior de todas - a sensação de que não vai dar tempo de acordar num domingo ensolarado com seu filho no pé da cama se você tiver que fazer tudo que tem pra fazer nos próximos cinco anos.

Um dia desses estava conversando com uma amiga um pouquinho mais nova, combinando que devíamos ter filhos na mesma época pra que eles fossem amigos também. Ela me deu um prazo de quatro anos e eu só não caí sentada porque já estava deitada. Como assim um filho em quatro anos??? Eu precisava ter começado a namorar no mínimo ontem pra estar preparada pra isso. E eu não comecei, nem estou em vistas de. F#d*u!

Mas não criemos pânico, certo? Os tempos são outros, os planos também podem ser. Já andei pesquisando se custa caro fazer inseminação artificial. Acho que eu consigo pagar se desistir da casa própria. E do carro, pra poder matricular a criança na escola. E quem precisa de um emprego fenomenal quando se tem um que pague seu almoço?

Acho que eu surtei um pouquinho com essa história de um quarto de século, né?! Mas logo eu me recupero. E tem que ser logo mesmo, que é pra não perder mais tempo!