sexta-feira, agosto 26, 2011

.fazendo cocô em inglês.

Desculpem-me aqueles que não entendem nada de inglês, mas já aviso que grande parte deste post precisa ser escrito na língua do Tio Sam; ou da Vovó Elizabeth, para aqueles que tem uma quedinha pelo lado britânico da coisa.


Eu adoro trabalhar com estrangeiros por diversos motivos, mas posso dizer que o principal é a troca de informações e cultura que só a convivência multinacional pode nos oferecer. Pois bem.


Graças ao meu trabalho, estou vivendo uma relação profissional e emocional com uma chinesinha que enfrenta pela primeira - e no seu caso, única - gravidez, fora de seu país de origem. Tudo é muito diferente: In China we can't do that. In China I can't eat that. In China there is a special milk and I want it. Well, my dear, nós estamos no Brasil; no special milk e um montão de coisas que poderia usar a seu favor, se fosse allowed in China.


Estela, please help me to find a doctor - feito;

Estela, please call the laboratory to schedulle my exams - feito;

Estela, please take me to eat on Mc Donald's - facilmente feito;

Oh Estela, you are so kind... - bondade sua!


Pode parecer chato (tirando os big macs), mas eu juro que amo muito tudo isso - e não estou me referindo ao antigo slogan da rede. É incrível o que um simples telefonema pode fazer na vida de uma pessoa (e meia), e, principalmente, o quanto é gratificante ser parte disso.


E esta semana, meu amor pelo interculturalismo foi bravamente testado.

- Estela, what is a PPF examination?

- Humm... well, they will give you a pot and you have to poop on it.

- I have to whaaat?

- To poop, you know.. go to the toillet.

- No Estela, I don't understand!

- When you go to to the bathroom, you make liquid or solid things, right?

- Yes..

- So, you have to make the second one over an aliminum paper, grab a little with a kind of spoon, put in the pot, let in the refrigerator and take it to the laboratory the next morning, so they can analyse if everything is ok...

- Oh ok... I do it every morning when I wake up!

- Very good to know! So, just do it and take to the laboratory right after!

- Estela?

- Yes?

- Would you come with me?

- Of course!

- Oh thank you.. you help me so much! Let's go to Mc Donald's, I invite you!


Nem nos meus sonhos mais loucos eu poderia imaginar o dia em que teria que explicar a uma pessoa de nacionalidade totalmente diferente da minha, numa língua que não é a minha, nem a dela, como fazer cocô num potinho! E não foi só, expliquei também como fazer xixi, com tudo bem lavadinho e limpinho, e entregar o número um e o número dois nas mãos da enfermeira!


E talvez você esteja com nojo agora, enquanto eu vibro com as maluquices que a vida nos apresenta. Acho tudo isso tão... louco! No total bom sentido da coisa! O aprender, o ensinar, o conviver, o compreender, o facilitar, a troca, o transformar. Tudo que podemos fazer apenas em dois ou mais, nunca individualmente. Porque a vida nos quer juntos, um pros outros, outros pros uns - mesmo que isso signifique ajudar o próximo a defecar num potinho pela primeira vez em sua vida!

quarta-feira, agosto 17, 2011

.crônica de uma doença crônica.

Sabe-se bem que a osteoartrose, ou artrose, é uma doença predominante nos idosos. Especialistas do mundo todo afirmam que isso se dá pelo desgaste dos músculos durante os numerosos anos em que trabalharam, construíram casas e famílias, andaram e lutaram pelo viver de cada dia; mas eu - uma recente portadora da patologia, no auge dos meus 25 aninhos - discordo. A artrose é uma doença de velhinhos porque requer uma inesgotável paciência que só depois de 80 anos vividos e suados é que um ser humano é capaz de desenvolver.




"Não corra, não pule, não abaixe. Procure dirigir o mínimo possível, só dobre as pernas quando extremamente necessário e tente não ficar muito tempo em pé. Tome estas duas medicações antes de dormir pelos próximos dois meses, não misture com álcool, nem com analgésicos - em caso de dor extrema, repouse 30 minutos pela manhã e mais 30 pela tarde. Se aguentar, caminhe 20 minutos por dia, em caminho totalmente pleno, com sapatos apropriados, em marcha lenta. Outros exercícios aceitáveis são os desenvolvidos na água, hidroginástica ou natação. Mas não se preocupe, a doença não é grave e você pode continuar vivendo normalmente."




Normalmente uma ova. É preciso se acostumar com uma rotina totalmente nova, e ai de você se desrespeitá-la. O médico não vai te perseguir e proibir que você também coma e respire, mas seus joelhos vão doer tanto que você vai até questionar se o seu salário é tão importante a ponto de te fazer ir trabalhar todos os dias.




Além dos velhinhos, há outros dois grupos previamente dispostos a desenvolver a doença: atletas e obesos. Sim, além de crônica, chata e corta-brisa, a osteoartrose é contraditória. Faça exercícios demais e sofra. Não faça exercício nenhum e sofra. Procure o equílibrio, tenha a sorte de ser uma exceção como eu, e sofra! E se neste momento você está imaginando que ao invés da excessão, eu me encaixo no grupo dos obesos, tenha consciência que além de não poder fazer tudo aquilo citado acima, eu também não posso mais ser sua amiga - e dessa vez as ordens não são médicas, são de uma mulher possessa, proibida de frequentar as aulas de tênis, equitação e corrida.




Que fique claro que meus conhecimentos estão longe de ser médicos, ou embasados em anos de estudo sobre o tema; pelo contrário, são totalmente leigos, duvidosos e humorísticos. Porque, como sempre, o que realmente importa são as risadas que somos capaz de dar a respeito das piadas que a vida nos apresenta!