terça-feira, abril 26, 2011

.exigências.

Ela foi criada por uma mãe sozinha - uma mulher sempre bonita, bem arrumada, trabalhadora e elegante. Era difícil imaginar que fosse uma mãe solteira, nunca reclamava, vivia sorrindo e ajudando todo mundo.

Durante seus primeiros vinte anos de vida tinha acompanhado o amor platônico da mãe por um colega de trabalho - um homem cheiroso, alto, de ombros largos, educado, rico e extremamente bonito. Obviamente ele tinha o principal defeito de um homem interessante - já tinha dona.
Mesmo que sua mãe fosse louca por ele, sempre respeitou a situação e nunca deixou o sentimento transparecer.

Sem um homem modelo dentro de casa e com a imagem do bonitão do trabalho, ela aprendeu a ser exigente, esperar por aquele alguém que tivesse tantas boas características quanto o amor platônico da mãe.

Então ela completou trinta anos solteira. A mãe beirava os sessenta e finalmente namorava. Não o bonitão, mas um homem barrigudo, que usava sandálias Rider e tinha pelos nos pés. A mãe parecia feliz.

Ela quis tirar uma lição da situação, acreditar que às vezes ser menos exigente pode ser benéfico; mas não conseguiu - "Papai do Céu, por favor, não me deixe acreditar que pés de lobisomen são aceitáveis".

terça-feira, abril 12, 2011

.eu tenho, você não tem.

Se tem uma coisa que é quase inacreditável é a concorrência no mundo dos relacionamentos.


Pensa em uma cara feio e desagradável. Agora multiplica por dois - é quase certo que a única mulher que gosta dele é a mãe. Agora pega o resultado dessa conta, toma uma dose de seiláoquê e se apaixona por ele. Pronto, pode ter certeza que a partir deste minuto você está concorrendo com pelo menos mais duas mulheres e uma delas parece infinitamente mais interessante do que você.


Há quem diga que a "competição" acirrada dá um gostinho a mais no jogo da conquista, te faz observar mais o que o bofe tem de bom e desperta o lado instintivo de querer lutar pelo alvo da cobiça. Fora que se a pessoa for a cópia de um cão chupando manga, instantaneamente você passa a enxergá-la como um cachorrinho fofo comendo uma frutinha deliciosa e tropical.


E você está aí sozinha, com a certeza absoluta de que não há um cristão no mundo inteiro disposto a te levar pra jantar e que assim que aparecer um... não vão aparecer outros! Pra que se iludir? Acontece com todo mundo por quem você se apaixone, mas não acontece com você. Quando começa a flertar com alguém, fica torcendo pra aquele seu primo distante deixar um recado amoroso na sua página do facebook e causar um ciuminho bobo no cara, mas é claro que o universo não está do seu lado, ele nunca está.


Enquanto isso, na página dele, há pelo menos 3 publicações pelas quais você arrancaria metade do couro cabeludo.


O mundo sentimental é assim - tem sempre alguém querendo aquilo (ou aquele) que você quer, não importa o que (ou quem) seja. E o negócio é subir no salto e brigar por ele até o fim - pode ter certeza que se conseguir e perceber que nem era tudo o que imaginava, alguém vai cuidar dos pedaços restantes do coração do gato, principalmente porque depois de jogar no seu time o passe dele só valorizou!

quinta-feira, abril 07, 2011

.um minuto da sua paz.

É extremamente difícil viver sem paz interior. Você pode almejar a paz, lutar por ela, mas se não vem de dentro de você, qualquer luta é inútil. Nem todo mundo concorda com isso, eu sei. Mas pra mim, a paz e o equilíbrio estão em Deus. É rezando que eu alcanço, é pedindo sabedoria pra diferenciar o bom do mau que eu trilho meu caminho. Não porque eu espero que Ele me recompense, mas porque pretendo fazer por Ele o que faz por mim todos os dias. Estou longe de ser um exemplo de pessoa, ou de poder julgar um próximo e essas não são absolutamente minhas intenções. Mas hoje eu estou em choque. Perplexa com a falta de dissernimento que pode existir dentro de um ser humano capaz de invadir uma escola e matar crianças. E então ele escreve uma carta - uma solicitação, melhor dizendo. Solicita pureza. Solicita luvas, lençóis brancos, virgens. Solicita que seja feita a vontade de seus pais já falecidos. Por que? Com que direito? É puro quem é casto mas mata? A vontade de seus pais condiz com sua atitude? Ele também pede perdão. Não aos pais das vítimas ou a elas mesmas; pede perdão à Deus, como se Ele fosse responsável por retificar um aburso humano, como se a responsabilidade fosse Dele. Eu não quero pregar religião, também não quero impor minha opinião a respeito do assunto. Quero expressar a revolta, a inconformidade, a solidariedade às famílias, o respeito à todos que foram abalados com isso. Quero pedir respeito e pedir a todo aquele que chegar ao fim desta mensagem, que por um minuto faça uma oração ou um pensamento positivo em nome de todos os envolvidos nesta tragédia. O que está feito, está feito, eu sei. Mas nada que é pelo bem é excessivo.