terça-feira, setembro 13, 2011

.diretas já.

Ser solteira na cidade de São Paulo não é uma coisa fácil. Não é que faltem opções, pelo contrário - há uma enorme gama de machos soltos por aí nos inúmeros bares, baladas, restaurantes, e todos os outros tipos de casas de divertimento que a metrópole oferece. Também não vou culpá-los por não quererem nada da vida, tem muita gente que quer, só ainda não sabe muito bem o quê.


Na minha humilde opinião, como quase tudo que acontece atualmente, a culpa é do governo. Poderíamos, inclusive, juntar um batalhão de encalhadas, pintar nosso rostos e parar a Av. Paulista num manifesto das caras-pintadas por uma paquera segura.


É sério! Pense comigo, mulher. Você está no trânsito, linda e bela no seu carro envenenado. De repente ouve uma buzina, olha pro lado e vê um cara muito bem apessoado fazendo sinal com as mãos para que você abra o virdo manualmente. Ele parece ser bem gato. Você decide abrir mas é interrompida por um pensamente abrupto: Meu Deus, será que é paquera ou assalto? E resolve permanecer com as janelas fechadas. Ele insiste mostrando o celular para que você lhe passe seu número de telefone e talvez você até consigo fazê-lo sem abrir o vidro, mas e se for para te passar um trote mais tarde dizendo que sequestrou seu pai e vai cortar a orelha dele caso você não lhe deposite 5 mil reais nos próximos trintas minutos? Antes que possa se decidir, o farol abre e você o perde de vista.


Ou então, você está no metrô - linha verde que é melhor frequentada - e um gatinho de terno parece sorrir na sua direção. Você sorri de volta, fica tímida e vê que ele está se aproximando. Te dá aquele frio não barriga repentino, que não sentia há tempos. Seriam borboletas no seu estômago? Não, é medo. Será que ele está me seguindo? Mas continua lá, sentindo que deve dar uma chance ao acaso. Ele aproveita a multidão para pegar na sua mão... seria tão romântico se não te parecesse que ele está tentando roubar seu relógio.


Mude a situação. Você conheceu um cara que parece ser realmente interessante numa festa chata que sua amiga te convenceu a ir. Parece que ele salvou sua noite e sua vida amorosa do fracasso. O gato de oferece um drink, você está amando. Antes do primeiro gole, volta o diabinho: Ai, ai, ai será que tem um boa noite Cinderella nesse treco? Acaba dizendo que não bebe e muda de assunto. Ele diz que não está te ouvindo muito bem por causa da música alta e sugere uma conversa lá fora. Ué, ele está realmente interessado no que eu tenho para dizer ou é sequestro?


Diretas-já! Chega de insinuações e indiretas, homens do meu Brasil. Digam logo se querem tomar um café ou nossas carteiras e deixem a fila andar!

sexta-feira, agosto 26, 2011

.fazendo cocô em inglês.

Desculpem-me aqueles que não entendem nada de inglês, mas já aviso que grande parte deste post precisa ser escrito na língua do Tio Sam; ou da Vovó Elizabeth, para aqueles que tem uma quedinha pelo lado britânico da coisa.


Eu adoro trabalhar com estrangeiros por diversos motivos, mas posso dizer que o principal é a troca de informações e cultura que só a convivência multinacional pode nos oferecer. Pois bem.


Graças ao meu trabalho, estou vivendo uma relação profissional e emocional com uma chinesinha que enfrenta pela primeira - e no seu caso, única - gravidez, fora de seu país de origem. Tudo é muito diferente: In China we can't do that. In China I can't eat that. In China there is a special milk and I want it. Well, my dear, nós estamos no Brasil; no special milk e um montão de coisas que poderia usar a seu favor, se fosse allowed in China.


Estela, please help me to find a doctor - feito;

Estela, please call the laboratory to schedulle my exams - feito;

Estela, please take me to eat on Mc Donald's - facilmente feito;

Oh Estela, you are so kind... - bondade sua!


Pode parecer chato (tirando os big macs), mas eu juro que amo muito tudo isso - e não estou me referindo ao antigo slogan da rede. É incrível o que um simples telefonema pode fazer na vida de uma pessoa (e meia), e, principalmente, o quanto é gratificante ser parte disso.


E esta semana, meu amor pelo interculturalismo foi bravamente testado.

- Estela, what is a PPF examination?

- Humm... well, they will give you a pot and you have to poop on it.

- I have to whaaat?

- To poop, you know.. go to the toillet.

- No Estela, I don't understand!

- When you go to to the bathroom, you make liquid or solid things, right?

- Yes..

- So, you have to make the second one over an aliminum paper, grab a little with a kind of spoon, put in the pot, let in the refrigerator and take it to the laboratory the next morning, so they can analyse if everything is ok...

- Oh ok... I do it every morning when I wake up!

- Very good to know! So, just do it and take to the laboratory right after!

- Estela?

- Yes?

- Would you come with me?

- Of course!

- Oh thank you.. you help me so much! Let's go to Mc Donald's, I invite you!


Nem nos meus sonhos mais loucos eu poderia imaginar o dia em que teria que explicar a uma pessoa de nacionalidade totalmente diferente da minha, numa língua que não é a minha, nem a dela, como fazer cocô num potinho! E não foi só, expliquei também como fazer xixi, com tudo bem lavadinho e limpinho, e entregar o número um e o número dois nas mãos da enfermeira!


E talvez você esteja com nojo agora, enquanto eu vibro com as maluquices que a vida nos apresenta. Acho tudo isso tão... louco! No total bom sentido da coisa! O aprender, o ensinar, o conviver, o compreender, o facilitar, a troca, o transformar. Tudo que podemos fazer apenas em dois ou mais, nunca individualmente. Porque a vida nos quer juntos, um pros outros, outros pros uns - mesmo que isso signifique ajudar o próximo a defecar num potinho pela primeira vez em sua vida!

quarta-feira, agosto 17, 2011

.crônica de uma doença crônica.

Sabe-se bem que a osteoartrose, ou artrose, é uma doença predominante nos idosos. Especialistas do mundo todo afirmam que isso se dá pelo desgaste dos músculos durante os numerosos anos em que trabalharam, construíram casas e famílias, andaram e lutaram pelo viver de cada dia; mas eu - uma recente portadora da patologia, no auge dos meus 25 aninhos - discordo. A artrose é uma doença de velhinhos porque requer uma inesgotável paciência que só depois de 80 anos vividos e suados é que um ser humano é capaz de desenvolver.




"Não corra, não pule, não abaixe. Procure dirigir o mínimo possível, só dobre as pernas quando extremamente necessário e tente não ficar muito tempo em pé. Tome estas duas medicações antes de dormir pelos próximos dois meses, não misture com álcool, nem com analgésicos - em caso de dor extrema, repouse 30 minutos pela manhã e mais 30 pela tarde. Se aguentar, caminhe 20 minutos por dia, em caminho totalmente pleno, com sapatos apropriados, em marcha lenta. Outros exercícios aceitáveis são os desenvolvidos na água, hidroginástica ou natação. Mas não se preocupe, a doença não é grave e você pode continuar vivendo normalmente."




Normalmente uma ova. É preciso se acostumar com uma rotina totalmente nova, e ai de você se desrespeitá-la. O médico não vai te perseguir e proibir que você também coma e respire, mas seus joelhos vão doer tanto que você vai até questionar se o seu salário é tão importante a ponto de te fazer ir trabalhar todos os dias.




Além dos velhinhos, há outros dois grupos previamente dispostos a desenvolver a doença: atletas e obesos. Sim, além de crônica, chata e corta-brisa, a osteoartrose é contraditória. Faça exercícios demais e sofra. Não faça exercício nenhum e sofra. Procure o equílibrio, tenha a sorte de ser uma exceção como eu, e sofra! E se neste momento você está imaginando que ao invés da excessão, eu me encaixo no grupo dos obesos, tenha consciência que além de não poder fazer tudo aquilo citado acima, eu também não posso mais ser sua amiga - e dessa vez as ordens não são médicas, são de uma mulher possessa, proibida de frequentar as aulas de tênis, equitação e corrida.




Que fique claro que meus conhecimentos estão longe de ser médicos, ou embasados em anos de estudo sobre o tema; pelo contrário, são totalmente leigos, duvidosos e humorísticos. Porque, como sempre, o que realmente importa são as risadas que somos capaz de dar a respeito das piadas que a vida nos apresenta!


sexta-feira, maio 13, 2011

.pronto, falei.

Que todas as representantes do sexo feminino me perdoem, mas depois de um delicioso encontro entre amigas ontem, resolvi revelar aos homens o que tanto conversamos quando estamos só entre mulheres.

Ao contrário do que vocês pensam, meus queridos, vocês e suas atitudes tão previsivelmente masculinas não são o nosso único ou principal assunto. Falamos de vocês sim, não vou negar. Falamos bem e mal... mais especificamente mal dos nossos e bem dos outros. Se ultimamente você fez alguma coisa que mereça um elogio, não se preocupe, nós saberemos reconhecer - mas vamos tirar o sarro se você passou do limite do romantismo.

Esqueça o clichê de que mulheres passam a maioria do seu tempo conversando sobre sapatos, bolsas ou promoções. Esses assuntos costumam dar lugar a coisas bem mais importantes. Vivemos, por exemplo, procurando culpados por problemas importantíssimos para a humanidade como a miséria ou a educação, e também por coisas menos relevantes como a irresponsabilidade do filho do Neymar ou as piadas ofensivas (e engraçadissimas) do Rafinha Bastos.

Dividimos segredos, que de vez em quando também envolvem famosos, mas na maior parte das vezes, envolvem pessoas e relevância reais, e encontramos soluções para problemas aparantemente insolúveis num abraço, ouvido ou apoio moral, o que, diga-se de passagem, é praticamente impossível encontrar em você.

Falamos também sobre nossas mães, e dessa vez, a regra é contrária. Falamos bem das nossas e mal das suas. Podemos até criticar algumas atitudes de nossas progenitoras de vez em quando, mas é incocebível a ideia de elogiar uma sogra.

Indicamos remédios, anticoncepcionais, médicos ginecologistas e laboratórios para realizar os exames que odiamos mas devemos fazer sempre, ou outros que não são de todo ruim, e até gostaríamos de fazer com um pouco mais de frequência.

Discutimos sobre nossas rotinas de trabalho, o que andamos fazendo nas horas vagas, pessoas interessantes, programas que queremos fazer, que roupa usar em certos eventos ou últimos e-mails ou hashtags engraçados recebidos ultimamente.

Pedimos alguns conselhos umas às outras. Quem namora pede uma luz à quem está solteira e vice-versa - o que nunca dá muito certo já que uma não entende nada da situação da outra, mas gostamos de ouvir mesmo assim. Pedimos ajuda também na escolha de presentes, num corte de cabelo, ou numa cor pra parede da sala, e 90% das vezes, acabamos fazendo tudo ao contrário do que foi dito aconselhado.

Fazemos planos. Planos para festas, viagens ou futuros programas culturais. E também planos mirabolantes para conseguirmos alguma coisa que queremos muito mas não sabemos exatamente como alcançar sozinhas. E é uma delícia ver que quase sempre chegamos lá, de mãos-dadas.

Se estamos só entre mulheres - pasmem - não vamos juntas ao toilette - é desnecessário. E aquela que vai sozinha e esquece o celular na mesa, acaba fazendo coco em sua página do facebook. O que me faz pensar nas piadas. Rimos o tempo todo de piadas que até faríamos na frente de vocês, mas temos certeza que jamais entederiam.

Assim como esse post - que eu tenho certeza que no fim, vai agradar só a nós mulheres mesmo!

terça-feira, maio 10, 2011

.é das neuróticas que eles gostam mais.

- Se você atender a sua ex nesse telefone agora eu juro que além de quebrar esse celular em 500 milhões de pedacinhos minúsculos, eu nunca mais olho na sua cara e vou convencer a sua família inteira que você é um escroto que me trai desde que a gente se conheceu, mesmo que isso não seja verdade.

Taí um negócio que eu não sei fazer. E não estou falando da chantagem - chantagem é até fácil. Falo mesmo é da crise de ciúmes exagerado, ou para os descoladinhos, pití. E é por essa e por outras que provavelmente vou morrer sozinha criando 37 cachorros (odeio gatos) no jardim da minha casa.

Eles vivem dizendo que não, aliás, juram de pés juntos que o que mais querem é uma namorada sussegada, mas é mentira - homem gosta mesmo é de mulher neurótica. Daquelas que pegam no pé até porque o cara comprou uma Playboy. Pode olhar ao seu redor, uns 7 entre 10 dos seus amigos provavelmente namoram uma louca e os outros 3 namoram alguma amiga sua que, por pura sorte, sai da curva das desequilibradas.

E não estou falando isso sem causa, não. Vivo ouvindo histórias de relacionamentos tipicamente felizes que envolvem maracujina pra dormir enquanto a outra metade joga um futebolzinho com os amigos ou dias de rouquidão após uma briga sobre a camiseta que deixa os olhos dele verdes demais.

Talvez estivessem certos Leandro e Leonardo quando diziam que um casal que se ama vive entre tapas e beijos, sofrendo e querendo um amor doentio, e errada estamos nós mulheres que respondemos um simples "Futebol com os meninos? Que ótimo, vou aproveitar pra sair e fofocar com as minhas amigas" quando o gato pede uma quinta a noite free!

Vai, meu amor. Vai se divertir sem poder falar mal da gente. Deixe os seus amigos fingirem que estão morrendo de inveja porque você não precisa causar um escanteio pra responder uma ligação a cada dez minutos. Mas depois volta. Porque sair correndo de mulher equilibrada só Freud explica!

terça-feira, abril 26, 2011

.exigências.

Ela foi criada por uma mãe sozinha - uma mulher sempre bonita, bem arrumada, trabalhadora e elegante. Era difícil imaginar que fosse uma mãe solteira, nunca reclamava, vivia sorrindo e ajudando todo mundo.

Durante seus primeiros vinte anos de vida tinha acompanhado o amor platônico da mãe por um colega de trabalho - um homem cheiroso, alto, de ombros largos, educado, rico e extremamente bonito. Obviamente ele tinha o principal defeito de um homem interessante - já tinha dona.
Mesmo que sua mãe fosse louca por ele, sempre respeitou a situação e nunca deixou o sentimento transparecer.

Sem um homem modelo dentro de casa e com a imagem do bonitão do trabalho, ela aprendeu a ser exigente, esperar por aquele alguém que tivesse tantas boas características quanto o amor platônico da mãe.

Então ela completou trinta anos solteira. A mãe beirava os sessenta e finalmente namorava. Não o bonitão, mas um homem barrigudo, que usava sandálias Rider e tinha pelos nos pés. A mãe parecia feliz.

Ela quis tirar uma lição da situação, acreditar que às vezes ser menos exigente pode ser benéfico; mas não conseguiu - "Papai do Céu, por favor, não me deixe acreditar que pés de lobisomen são aceitáveis".

terça-feira, abril 12, 2011

.eu tenho, você não tem.

Se tem uma coisa que é quase inacreditável é a concorrência no mundo dos relacionamentos.


Pensa em uma cara feio e desagradável. Agora multiplica por dois - é quase certo que a única mulher que gosta dele é a mãe. Agora pega o resultado dessa conta, toma uma dose de seiláoquê e se apaixona por ele. Pronto, pode ter certeza que a partir deste minuto você está concorrendo com pelo menos mais duas mulheres e uma delas parece infinitamente mais interessante do que você.


Há quem diga que a "competição" acirrada dá um gostinho a mais no jogo da conquista, te faz observar mais o que o bofe tem de bom e desperta o lado instintivo de querer lutar pelo alvo da cobiça. Fora que se a pessoa for a cópia de um cão chupando manga, instantaneamente você passa a enxergá-la como um cachorrinho fofo comendo uma frutinha deliciosa e tropical.


E você está aí sozinha, com a certeza absoluta de que não há um cristão no mundo inteiro disposto a te levar pra jantar e que assim que aparecer um... não vão aparecer outros! Pra que se iludir? Acontece com todo mundo por quem você se apaixone, mas não acontece com você. Quando começa a flertar com alguém, fica torcendo pra aquele seu primo distante deixar um recado amoroso na sua página do facebook e causar um ciuminho bobo no cara, mas é claro que o universo não está do seu lado, ele nunca está.


Enquanto isso, na página dele, há pelo menos 3 publicações pelas quais você arrancaria metade do couro cabeludo.


O mundo sentimental é assim - tem sempre alguém querendo aquilo (ou aquele) que você quer, não importa o que (ou quem) seja. E o negócio é subir no salto e brigar por ele até o fim - pode ter certeza que se conseguir e perceber que nem era tudo o que imaginava, alguém vai cuidar dos pedaços restantes do coração do gato, principalmente porque depois de jogar no seu time o passe dele só valorizou!

quinta-feira, abril 07, 2011

.um minuto da sua paz.

É extremamente difícil viver sem paz interior. Você pode almejar a paz, lutar por ela, mas se não vem de dentro de você, qualquer luta é inútil. Nem todo mundo concorda com isso, eu sei. Mas pra mim, a paz e o equilíbrio estão em Deus. É rezando que eu alcanço, é pedindo sabedoria pra diferenciar o bom do mau que eu trilho meu caminho. Não porque eu espero que Ele me recompense, mas porque pretendo fazer por Ele o que faz por mim todos os dias. Estou longe de ser um exemplo de pessoa, ou de poder julgar um próximo e essas não são absolutamente minhas intenções. Mas hoje eu estou em choque. Perplexa com a falta de dissernimento que pode existir dentro de um ser humano capaz de invadir uma escola e matar crianças. E então ele escreve uma carta - uma solicitação, melhor dizendo. Solicita pureza. Solicita luvas, lençóis brancos, virgens. Solicita que seja feita a vontade de seus pais já falecidos. Por que? Com que direito? É puro quem é casto mas mata? A vontade de seus pais condiz com sua atitude? Ele também pede perdão. Não aos pais das vítimas ou a elas mesmas; pede perdão à Deus, como se Ele fosse responsável por retificar um aburso humano, como se a responsabilidade fosse Dele. Eu não quero pregar religião, também não quero impor minha opinião a respeito do assunto. Quero expressar a revolta, a inconformidade, a solidariedade às famílias, o respeito à todos que foram abalados com isso. Quero pedir respeito e pedir a todo aquele que chegar ao fim desta mensagem, que por um minuto faça uma oração ou um pensamento positivo em nome de todos os envolvidos nesta tragédia. O que está feito, está feito, eu sei. Mas nada que é pelo bem é excessivo.

quarta-feira, março 30, 2011

.de volta ao útero.

Não se sinta culpado, você ainda nem sabia o que isso significava, mas a primeira vez que se sentiu rejeitado na vida foi quando saiu do útero da sua mãe. Você estava lá, quentinho, no escurinho, todo aconchegante. Parecia que ia viver pra sempre assim, e, de repente, pá - deu de cara com a luz do dia, umas 5 pessoas de branco rindo pra você em uma sala de hospital. Quem, em sã consciência, não iria chorar? Se você hesitou em não derrubar suas lágrimas, um daqueles caras sorridentes, começou a dar palmadas na sua bunda. Difícil seria rir depois de tudo isso.


Desde então é exatamente essa sensação de proteção e paz que você procura. Alguém que possa te fazer sentir assim, sem precisar ter um útero de dois metros onde você ainda caiba. Procura em cada uma das pessoas que cruzam o seu caminho, e quando atinge idade suficiente, passa a procurar no sexo oposto. Ou no mesmo.


A verdade é que conscientemente você quer ficar sozinho. Quer se poupar das dores de cabeça, satisfações, possíveis mentiras ou traições e todos os outros pontos negativos que um relacionamento amoroso possa te trazer. Não é que você não enxergue qualidades no amor - pelo contrário - qualidades são o que este nobre sentimento mais possui. Mas infelizmente elas não vem sozinhas, e a procura tem sido tão grande desde que viu a luz do dia - ou do hospital - que você está cansado.


Então você se esforça. Não está preparado pra ser o útero de outra pessoa e não acha justo que ela faça isso por você. Está feliz porque pintou as paredes do seu apartamento de uma cor que só você gosta, mantém a tampa da sua privada abaixada (ou levantanda se for homem), e só precisa pagar um ingresso de cinema ou teatro. Você é financeiramente independente, tem seu próprio carro e pode fazer xixi fora do vaso, se quiser.


Aí, chega o aniversário da sua mãe. A única pessoa capaz de te oferecer um útero aconchegante. Ela merece um puta presente - e desculpe por usar a palavra puta, mas, convenhamos, é dificil expressar grande intensidade sem palavrões. Você, o filhinho querido, vai até uma loja achando que com dinheiro na mão tudo será muito simples. Mas não é. Dentre 5 tipos de camiseta básica com decote V e 12 modelos de forninho elétrico, você percebe que só uma mulher é capaz de escolher algo pra outra mulher. Talvez o melhor presente que possa dar à sua progenitora é uma nora.


Ou então, você é mulher. Acabou de comprar seu carro e está feliz a beça. Encheu o porta-luvas de maquiagem, perfume e um kit higiene. Tem 2 pares de sapato no seu porta-malas pra você trocar durante o dia se sentir vontade e - o melhor - nenhum homem pra reclamar disso. Você compra um rádio pro seu carango e está orgulhosa porque tem certeza que escolheu bem. Vai até a loja instalá-lo, em posse do seu cartão de crédito e seu salto agulha mais indicado praquele momento tão especial. O vendedor te olha nos olhos e você sente que ele também está orgulhoso de você. Mas não, ele está se perguntando como você pretende ouvir música no seu carro com um rádio potente e nenhum auto-falante. Merda.


São exemplos bobos. Talvez você seja uma expert em carros ou o melhor comprador de presentes para mulheres, mas com certeza, tem alguma coisa que em algum ponto da vida, vai perceber que não sabe fazer sozinho. É claro que nada disso é motivo pra decidir se casar e jurar fidelidade eterna. Mas é um bom começo pra te ajudar a entender que fomos feitos para viver em pares e que inconscientemente é só isso que você vem buscando - uma companhia que te faça reviver a paz de ser dois.


Então, de novo - não se culpe. Não se culpe por errar, perdoar, ligar de madrugada, comprar uma roupa nova pra encontrar alguém ou passar a noite na varanda esperando o carro de alguém atravessar a avenida. Não se culpe porque deseja alguém que não poderia ou porque faz esforços sobre-humanos pra não esquecê-la quando isso é exatamente o que deveria fazer. Não se culpe por procurar no próximo o útero da sua mãe. Você avisou que não queria sair de lá e ninguém te ouviu.


Enfim, não se culpe. Porque é só quando a gente se dá conta do que está procurando que finalmente consegue encontrar.

quinta-feira, março 24, 2011

.surtei.

Antes mesmo de começar a escrever este post, sei exatamente que ele vai afetar de forma totalmente diferente pessoas de 15 a 23 anos, de 24 a 29 e de 30 pra cima. Sei que as de 15 pra baixo nem vão se dar ao trabalho de ler. Eu poderia até entitulá-lo de "Justin Bieber" ou "Restart" para tentar chamar a atenção deste público também. Mas a este ponto, eles já teriam perdido o interesse, então, deixa pra lá.

A primeira e a terceira faixa etária vão rir de mim, cada um por seus motivos, mas vão. Já a segunda, vai se ver abanando a cabeça em forma de sim conforme o cerébro for processando as palavras!

Completar 25 anos é uma coisa engraçada. Não que a gente se sinta realmente velho ou experiente. Mas é a primeira vez que passamos a nos sentir atrasados para a vida. Quando você tem uns 15 anos e faz planos para dali dez, principalmente se é menina, se imagina super bem sucedido, com aquele emprego dos sonhos, um namorado/a lindo e querido por toda sua família, casamento marcado, carro comprado, roupas lindas no armário. Imagina que aos 30 vai ser acordado por seu filhinho de olhos azuis, naquela cama ensolarada ao lado da pessoa que ama, num domingo feliz e pacífico, sem nada mais pra se preocupar, enquanto seu dinheiro só cresce nos cofres dos bancos.

Aí você completa 20. Está na faculdade, leva aquela vida mansa, vê que emprego e dinheiro não são tão fáceis assim e que com tanta gente despreocupada da vida ao seu redor, é melhor deixar o casamento e o filho pra depois dos 30 anos. Então você foca na sua carreira, dá um monte de passos em falso, outros bons, faz viagens, estuda, aprende milhões de coisas que nunca achou que saberia e vai deixando o amor meio de lado. Quem precisa dele quando se tem amigos?

Vai vivendo despreocupado com o tempo, crente que tem inúmeros anos pra alcançar todos aqueles sonhos adolescentes. Seu corpo e sua saúde passam a exigir um pouquinho mais de você, mas é óbvio que você não está nem aí. Ainda falta muito pra entrar pro mundo adulto.

Com 24, ou está desesperado porque sua carreira não progrediu em nada, ou contente porque já consegue pagar suas próprias contas e uma cervejinha pros amigos de vez em quando. Sente a necessidade de voltar aos esportes; encara uma academia ou tenta algo que nunca fez tipo tênis ou equitação. Passa a frequentar lugares que antes chamava de balada de tiozão e a procurar se relacionar com pessoas mais velhas que você.

Então, chegam os 25. E junto com eles, alguns convites de casamento, chás de bebê ou open houses. Você está solteiro e seus amigos estão casando. Você se orgulhava de poder pagar sua própria academia e seus amigos estão comprando apartamentos. Você carrega fotos dos seus sobrinhos e seus amigos dos filhos deles. Mas essas pessoas estavam ali o tempo todo com você, como tudo isso aconteceu? Quando foi que vocês viraram adultos?

E lá estão elas te esperando. Você achou que tinha se livrado delas ao completar 20, mas não. A sensação de atraso. A sensação de que você decepcionou a pessoa que era aos quinze anos. A sensação de que tem cinco anos antes de se tornar um trintão e - a pior de todas - a sensação de que não vai dar tempo de acordar num domingo ensolarado com seu filho no pé da cama se você tiver que fazer tudo que tem pra fazer nos próximos cinco anos.

Um dia desses estava conversando com uma amiga um pouquinho mais nova, combinando que devíamos ter filhos na mesma época pra que eles fossem amigos também. Ela me deu um prazo de quatro anos e eu só não caí sentada porque já estava deitada. Como assim um filho em quatro anos??? Eu precisava ter começado a namorar no mínimo ontem pra estar preparada pra isso. E eu não comecei, nem estou em vistas de. F#d*u!

Mas não criemos pânico, certo? Os tempos são outros, os planos também podem ser. Já andei pesquisando se custa caro fazer inseminação artificial. Acho que eu consigo pagar se desistir da casa própria. E do carro, pra poder matricular a criança na escola. E quem precisa de um emprego fenomenal quando se tem um que pague seu almoço?

Acho que eu surtei um pouquinho com essa história de um quarto de século, né?! Mas logo eu me recupero. E tem que ser logo mesmo, que é pra não perder mais tempo!

terça-feira, fevereiro 22, 2011

.a arte de sonhar.

Tenho pensado sobre a espetacular arte de sonhar. E não sonhos que a gente sonha acordado e que podem ser interpretados como planos. Aqueles sonhos que a gente sonha dormindo, não tem controle nenhum pelo que acontece e são grandes responsáveis pelo humor com que saímos da cama pela manhã (ou pela tarde, se for um cochilinho gostoso).
Eu sonho todas as noites, sem excessão. Às vezes lembro de muito pouco quando acordo, mas nem sei qual foi a última vez em que a primeira lembrança do meu dia foi relativa ao dia anterior. É sempre um flash do que vivi enquanto dormia.
Tenho muitos sonhos bons. Do tipo que me permite viver uma situação que jamais viveria acordado - pelo menos eu não acho que algum dia o Brad Pitt realmente vai correr atrás do meu ônibus pedindo pra eu não ir embora porque ele quer passar mais tempo comigo; mas é óbvio que eu posso estar errada - quando isso acontecer eu provavelmente estarei dirigindo minha Cayenne e não fugindo de ônibus!!!
Outros são horríveis - perseguições, assaltos, bizarrices, situações de muito medo. Mas o alívio de acordar bem na hora que tudo vai dar errado... quisera pudéssemos ter este tipo de sensação quando se trata da vida real.
E tem os meus preferidos. Aqueles em que eu tenho a chance de encontrar, abraçar e até conversar com aqueles que já se foram. Sentir minha cachorrinha dormindo grudada no meu pé, ouvir meu avô me chamando de Fiota ou papear por horas com uma amiga querida que me faz tanta falta. A grande chance de estar com quem se ama e não se pode tocar acordado.
Eu adoro sonhar acordada, mas ainda não acho que seja melhor do que sonhar dormindo!

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

.papo de almoço.

Não sei se acontece com todo mundo, se é só comigo ou se sou eu que sou muito enxerida, mas a verdade é que venho ouvindo conversas de outras pessoas, no elevador, na mesa ao lado ou na fila do banco, que, pra ser bem suscinta, me chocam. Por exemplo:

(no elevador, dois homens bem apessoados, de uns 35 anos)
- Nossa, ela ficou ainda mais bonita, né? (levando as duas mãos pra frente do peito, indicando seios fartos)
- Muito! O Arthur que ia ficar louco se visse ela desse jeito.. (rindo)
- Nem fala! E ela também está emagracendo rápido, né?! (cara de safado)
- Ah, mas é normal... mulher sempre emagrece quando está amamentando...

Peraí, QUÊ??? A gostosa, a quem vocês estão se referindo, que ia mexer com a cabeça do amigo Arthur, está mais bonita e peituda porque ela acabou de ser mãe e está amamentando um recém-nascido enquanto vocês falam sobre os peitos cheio de leite dela??? TARADOS IRREPARÁVEIS!

E tem mais:

(duas mulheres, no restaurante, uns 29 anos, cara de amigas que não se vêem há um ano)
- Eu sabia que ele não merecia, mas decidi que ia sair com ele mesmo assim...(corando)
- Já tô vendo tudo..saiu? (revirando os olhos)
- Saí! Mas prometi pra mim mesma que era só pra me vingar, não ia dar bola pra ele a noite inteira e muito menos deixar nada rolar. (decidida)
- Uau! E como foi? (desconfiada)
- Você acredita que quanda a gente chegou na minha casa, eu fui ao banheiro fazer xixi e ele veio atrás??? (fingindo estar inconformada)
- Peraí, nada ia rolar e você levou ele pra sua casa??
- Só pra um café... (TÁ!)
- E aí, você mandou ele sair do banheiro?
- Ah não né amiga, ele já estava lá... daí eu dei na pia, na privada, no chuveiro... (e dessa vez ela nem ficou vermelha)
- Sabia, safada! E depois?
- Fiquei chateada, ele nunca mais me ligou...

AH VÁ??? Você sabia que o cara não prestava, fingiu de dificil a noite inteira e se jogou nos braços dele no primeiro passo que ele deu em sua direção e está surpresa porque ele conseguiu só o que ele queria? HELLO!

E pra fechar com chave de ouro:
(dois homens, no restaurante, um com uns 40 e outro mais perto dos 50, chefe e empregado, respectivamente)
- Você é um bom funcionário e nós queremos te ajudar... (cansado)
- Mas eu não preciso de ajuda, só de um pouco mais de dinheiro.. (aparentemente, chapado)
- Por que? O que aconteceu com seu salário?
- Estava em casa na semana passada, mas estou sem TV, daí eu saí pro bar e acabei bebendo tudo..
- Você precisa de ajuda, nós queremos te internar com seu consetimento. Vamos arcar com as despesas. (desesperado)
- Eu não sou alcoolatra não. Já fui, mas passou. Fiquei aquele ano todo sem beber, agora é só por diversão... (devorando uma travessa de bife à parmeggiana e rindo com a comida entre dentes)
- Você é, deixa eu te ajudar. (cara de PELO AMOR DE DEUS!)
- Deixo, me dá uma graninha aí, vai...

Prova de que ainda existe gente disposta a ajudar no mundo. E gente louca o suficiente pra achar que o problema da história é o dinheiro e não o alcool... ACORDA, ele é uma das únicas pessoas que vai querer te ajudar durante toda a sua vida!

Tá, eu assumo que fico "gansando" a conversa alheia. Mas vocês tem que concordar que o mundo esta cada vez mais errado, e ferrado. Ponto.

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

.procuram-se colhões.

Preciso inventar um nome pra um sentimento novo. Algo que fica entre o interesse casual e o amor, mas não tem nada a ver com atração física ou química. Não se caracteriza como amizade colorida porque nem sempre é recíproco. É bem menos intenso que a paixão e mais forte do que a carência. Por enquanto vou chamá-lo apenas de sentimento C.

Tudo isso porque eu quero falar sobre esse sentimento C com vocês e acho injusto não chamar uma coisa pelo nome, parece fofoca, maldade. E, como diria uma grande amiga, não gosto de fofocas, prefiro as babaleias.

Costumo me interessar por caras que já tenham demonstrado um certo interesse por mim e me apaixono por eles no mesmo momento em que esse interesse acaba. Este é o sentimento C, injusto e inconfundível. Você não pode confundí-lo com ser contrariada, por exemplo. Também não vale dizer que eu só quero aquilo que não posso ter, já que se fosse assim, eu não teria nem me interessado em primeiro lugar.

Meio que acontece assim: você, homem, sente um tipo de atração por mim. Puxa um papo, troca uns olhares, faz uns elogios, oferece uns chocolates de vez em quando e vive dizendo o quanto se diverte em minha companhia. Meu cérebro recebe a informação de que um interesse casual foi demonstrado. Ele pergunta pros meus olhos - gostaram? Se os olhos dizem que sim, perguntam pro corpo - concorda? O corpo, se respondendo positivamente, questiona o coração - vamos nessa? Por sua vez, o danado do coração responde prontamente - tô fora, vai sobrar pra mim! E voilà o sentimento C. É a melhor fase do flerte, só faz bem.

Então, depois de me certificar que o coração não vai embarcar nessa e acabar me dando trabalho no futuro, eu te dou uma chance. Pronto, f#d*u! Esta chance é tudo que você, cromossomo Y, precisa para acabar com o sentimento C. O próximo chocolate que me oferecer e eu aceitar com as bochechas corando, faz com que você corra como se eu tivesse acabado de te pedir pra ser o pai dos meus filhos.

Meu coração olha bem pra mim, com aquela cara de cansado, e pergunta - preciso dizer que eu avisei? Sim, meu caro coração, eu sei que é você quem vai enfrentar as consequências disso tudo.

Mas, como pra quase tudo na vida, eu tenho uma teoria para isso: Você, homem, não tem colhões suficientes para fazer o sentimento C subir um pouco de classe e virar um belo A. A de amor, de amizade, de alegrias, de aspirações, A de... de Asno!! Porque é só isso que você pode ser pra desperdiçar um negócio tão legal.

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

.sexta-feira.

Adoro o que as sextas feiras fazem com as pessoas.

As pessoas passam a semana inteira correndo com seus compromissos, entrando um pouquinho mais cedo no trabalho, saindo mais tarde. Dependendo da quantidade de obrigação que se tenha, tem gente que não para nem pra se alimentar. Da hora que acorda até a hora que vai dormir tudo é correria e stress.

Mas aí, chega a sexta-feira, o casual day. Sexta é dia de ligar a soneca do despertador e ficar uns minutinhos a mais na cama, tomar aquele banho demorado, seguido de um bom café da manhã. Dia de chegar no trabalho quase meia hora atrasado, cumprimentando o porteiro e a tia do elevador, e encontrar os colegas com aquele sorrisão no rosto.

Às sextas-feiras as pessoas se vestem com mais humor, fazem planos, convidam aquele cara de poucos amigos do TI da empresa pro almoço e, no restaurante, a saladinha que se dane! Peixe??? Imagine, sexta é dia de batata frita, bife à milanesa, lasanha. E, que uma hora de almoço que nada - "gente, hoje é sexta e o chefe está pagando o cafézinho!"

Os mais afortunados ainda tem a sorte de sair mais cedo. Cinco e meia o trabalhador dedicado da semana inteira, levanta da cadeira, sai do escritório com aquele ar de liberdade e afrouxa o nó da gravata. Seis já está no carro, de havaianas nos pés, a caminho da praia, twittando no seu telefone esperto a respeito do trânsito pros amigos que vem mais tarde.

E tudo isso só porque é sexta, o fim de semana chegou. É por isso que eu digo - Adoro o que as sextas feiras fazem com o ser humano!

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

.de volta.

Exatos cinco meses que voltei da França e abandonei o blog "Chacun prend son plaisir ou il le trouve". E hoje, acordei com saudades. Nem tinha percebido, mas já estava sentindo uma falta tão grande de escrever que ela estava começando e me corroer por dentro.

Então é isso. Apresento a vocês, a partir de agora, o .estela luiza.. Sem assuntos pré-definidos, nem temas específicios. A idéia é só falar do que der vontade de falar. E deixar ler aquele que tiver vontade de ler.

Foi dada a largada!