Antes mesmo de começar a escrever este post, sei exatamente que ele vai afetar de forma totalmente diferente pessoas de 15 a 23 anos, de 24 a 29 e de 30 pra cima. Sei que as de 15 pra baixo nem vão se dar ao trabalho de ler. Eu poderia até entitulá-lo de "Justin Bieber" ou "Restart" para tentar chamar a atenção deste público também. Mas a este ponto, eles já teriam perdido o interesse, então, deixa pra lá.
A primeira e a terceira faixa etária vão rir de mim, cada um por seus motivos, mas vão. Já a segunda, vai se ver abanando a cabeça em forma de sim conforme o cerébro for processando as palavras!
Completar 25 anos é uma coisa engraçada. Não que a gente se sinta realmente velho ou experiente. Mas é a primeira vez que passamos a nos sentir atrasados para a vida. Quando você tem uns 15 anos e faz planos para dali dez, principalmente se é menina, se imagina super bem sucedido, com aquele emprego dos sonhos, um namorado/a lindo e querido por toda sua família, casamento marcado, carro comprado, roupas lindas no armário. Imagina que aos 30 vai ser acordado por seu filhinho de olhos azuis, naquela cama ensolarada ao lado da pessoa que ama, num domingo feliz e pacífico, sem nada mais pra se preocupar, enquanto seu dinheiro só cresce nos cofres dos bancos.
Aí você completa 20. Está na faculdade, leva aquela vida mansa, vê que emprego e dinheiro não são tão fáceis assim e que com tanta gente despreocupada da vida ao seu redor, é melhor deixar o casamento e o filho pra depois dos 30 anos. Então você foca na sua carreira, dá um monte de passos em falso, outros bons, faz viagens, estuda, aprende milhões de coisas que nunca achou que saberia e vai deixando o amor meio de lado. Quem precisa dele quando se tem amigos?
Vai vivendo despreocupado com o tempo, crente que tem inúmeros anos pra alcançar todos aqueles sonhos adolescentes. Seu corpo e sua saúde passam a exigir um pouquinho mais de você, mas é óbvio que você não está nem aí. Ainda falta muito pra entrar pro mundo adulto.
Com 24, ou está desesperado porque sua carreira não progrediu em nada, ou contente porque já consegue pagar suas próprias contas e uma cervejinha pros amigos de vez em quando. Sente a necessidade de voltar aos esportes; encara uma academia ou tenta algo que nunca fez tipo tênis ou equitação. Passa a frequentar lugares que antes chamava de balada de tiozão e a procurar se relacionar com pessoas mais velhas que você.
Então, chegam os 25. E junto com eles, alguns convites de casamento, chás de bebê ou open houses. Você está solteiro e seus amigos estão casando. Você se orgulhava de poder pagar sua própria academia e seus amigos estão comprando apartamentos. Você carrega fotos dos seus sobrinhos e seus amigos dos filhos deles. Mas essas pessoas estavam ali o tempo todo com você, como tudo isso aconteceu? Quando foi que vocês viraram adultos?
E lá estão elas te esperando. Você achou que tinha se livrado delas ao completar 20, mas não. A sensação de atraso. A sensação de que você decepcionou a pessoa que era aos quinze anos. A sensação de que tem cinco anos antes de se tornar um trintão e - a pior de todas - a sensação de que não vai dar tempo de acordar num domingo ensolarado com seu filho no pé da cama se você tiver que fazer tudo que tem pra fazer nos próximos cinco anos.
Um dia desses estava conversando com uma amiga um pouquinho mais nova, combinando que devíamos ter filhos na mesma época pra que eles fossem amigos também. Ela me deu um prazo de quatro anos e eu só não caí sentada porque já estava deitada. Como assim um filho em quatro anos??? Eu precisava ter começado a namorar no mínimo ontem pra estar preparada pra isso. E eu não comecei, nem estou em vistas de. F#d*u!
Mas não criemos pânico, certo? Os tempos são outros, os planos também podem ser. Já andei pesquisando se custa caro fazer inseminação artificial. Acho que eu consigo pagar se desistir da casa própria. E do carro, pra poder matricular a criança na escola. E quem precisa de um emprego fenomenal quando se tem um que pague seu almoço?
Acho que eu surtei um pouquinho com essa história de um quarto de século, né?! Mas logo eu me recupero. E tem que ser logo mesmo, que é pra não perder mais tempo!
2 comentários:
Mto bom Estelinha..tudo que vc falou eh verdade... Tirando a perte que vc fou de quem esta chegando nos trintao e me fez relembrar que daqui 2 meses estou la..kkk mas do mais nao se preocupe com seus amigos, onde eles estao e o que ja fizeram..cada um tem seu momento, e tudo vem na sua hora..vc termina de forma brilhante "os tempos sao outros" eh exatamente isso, quando eh a hora certa de tudo acontecer?? Nao tem hora ceta pra ninguem.. tem a SUA hora e essa vai chegar normalmente.. Siga sua vida e tudo dara certo. Bjos Este'
http://rafaelbarrosb.wordpress.com/
Fala Estelinha,
estava aqui vagando pela internet e cheguei ao seu blog, estou lendo seus textos e achando muito bacana, esse eu gostei demais... a crise dos 25 para os jovens adultos (ou adultecentes) de classe média/alta... é bem isso mesmo... há poucos dias fiz 26 e me identifiquei bastante com seu texto... mas é a vida, o tempo está passando, e cada vez fica mais nítido que a adolescência está ficando para tras!!!! Mas a vida continua, e aos 40 pensaremos a mesma coisa desses 25, acho então que o único caminho é lidar com essa angústia e aproveitar, da forma que der, cada momento que temos para passar, seja o restart, seja o bar de tiozão, seja as viagens da terceira idade! Beijão pro c moça! "Rafinha" Dutra...
Postar um comentário