Ela foi criada por uma mãe sozinha - uma mulher sempre bonita, bem arrumada, trabalhadora e elegante. Era difícil imaginar que fosse uma mãe solteira, nunca reclamava, vivia sorrindo e ajudando todo mundo.
Durante seus primeiros vinte anos de vida tinha acompanhado o amor platônico da mãe por um colega de trabalho - um homem cheiroso, alto, de ombros largos, educado, rico e extremamente bonito. Obviamente ele tinha o principal defeito de um homem interessante - já tinha dona.
Mesmo que sua mãe fosse louca por ele, sempre respeitou a situação e nunca deixou o sentimento transparecer.
Sem um homem modelo dentro de casa e com a imagem do bonitão do trabalho, ela aprendeu a ser exigente, esperar por aquele alguém que tivesse tantas boas características quanto o amor platônico da mãe.
Então ela completou trinta anos solteira. A mãe beirava os sessenta e finalmente namorava. Não o bonitão, mas um homem barrigudo, que usava sandálias Rider e tinha pelos nos pés. A mãe parecia feliz.
Ela quis tirar uma lição da situação, acreditar que às vezes ser menos exigente pode ser benéfico; mas não conseguiu - "Papai do Céu, por favor, não me deixe acreditar que pés de lobisomen são aceitáveis".
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